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Como multiplicar peonias por divisao sem ficar anos sem flores

Pessoa segurando planta com raízes expostas em um jardim, ao lado de uma faca, regador e tigela de adubo.

Em grupos de jardinagem (e até em chats de apoio), já vi gente receber a resposta “claro! por favor, forneça o texto que gostaria que eu traduzisse.” quando, na realidade, só queria uma orientação simples e direta. A confusão é parecida com a de quem lê “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” e fica à espera de um passo que nunca vem - e com peónias isso pode sair caro, porque uma divisão mal feita pode mesmo significar anos sem uma única flor.

A boa notícia é que não precisa ser assim. Multiplicar peónias por divisão pode render plantas novas e fortes sem o castigo clássico de “agora espera três primaveras”, desde que acerte no momento, no tamanho de cada pedaço e, principalmente, na profundidade correta ao replantar.

O erro silencioso que deixa as peónias em “modo folhas” durante anos

Há um padrão recorrente: alguém divide uma touceira gigante, replanta com todo o cuidado, rega… e na primavera seguinte a planta está linda. Só que só dá folhas. No ano seguinte, mais folhas. E logo surgem suspeitas sobre adubo, lua, ou “a variedade que é complicada”.

Na maioria das vezes, o motivo é mais simples - e mais ingrato: os “olhos” (gemas) ficaram fundos demais, ou então as divisões ficaram pequenas e fracas para sustentarem floração. A peónia até cresce, porque fazer folhas é “barato”, mas não sente que tem reservas e condições “seguras” para investir em botões.

Se a ideia é multiplicar sem perder anos, encare a divisão como um transplante com regras específicas, não como “partir e repartir”.

Quando dividir (e porque é que a primavera é quase sempre uma má ideia)

A melhor janela é do fim do verão ao início do outono, quando a planta já terminou o espetáculo e começa a preparar as gemas da próxima estação.

Em Portugal, isso costuma acontecer entre:

  • final de agosto e outubro, dependendo da região e do calor do ano
  • de preferência quando as noites já começam a refrescar, mas antes das chuvas fortes encharcarem o solo

Na primavera, a peónia está a gastar energia para rebentar e alongar hastes. Se a desenterra nessa fase, interrompe o “arranque” e obriga a planta a refazer raízes no pior timing. Funciona? Às vezes. Mas é o caminho mais rápido para a espera longa por flores.

A divisão “mínima” que ainda floresce: tamanho, olhos e raízes

Aqui vai a regra prática que mais reduz o risco de anos sem botões:

  • Cada divisão deve ter 3 a 5 olhos (gemas) bem evidentes.
  • Precisa trazer um bom pedaço de raiz grossa (não só raízes fininhas).
  • Divisões com 1–2 olhos podem pegar, mas frequentemente entram no modo “primeiro crescer, depois florir”.

Pense nisso como um orçamento de energia. Uma divisão grande o bastante consegue enraizar e, ao mesmo tempo, manter reservas para florescer mais cedo.

Como reconhecer os “olhos”

No outono, perto da coroa (a transição entre raízes e caules), costuma ver pequenos “botões” rosados/avermelhados. São eles. Se só encontra raízes e nenhuma gema, provavelmente está a cortar baixo demais - ou a planta ainda é jovem/atrasada.

O passo a passo que evita traumas (e fungos)

Escolha um dia ameno e organize tudo antes de começar. A meta é deixar a coroa fora da terra o menor tempo possível.

  1. Corte os caules a 5–10 cm e remova folhas doentes (não compostar se houver manchas).
  2. Levante a touceira com uma forquilha, soltando a terra ao redor em vez de puxar pelo centro. As raízes de peónias quebram com facilidade.
  3. Lave ou sacuda a terra para enxergar a coroa e os olhos. Trabalhar “no escuro” é como nascem divisões minúsculas sem querer.
  4. Desinfete a lâmina (álcool) e faça cortes limpos. Se estiver muito lenhosa, às vezes uma faca mais forte e paciência resolvem melhor do que força.
  5. Revise cada divisão: 3–5 olhos + raízes grossas. Pode aparar pontas esmagadas.

Se quiser ser mais metódico, polvilhe levemente os cortes com canela (antifúngico suave) ou deixe as divisões secarem à sombra por 1–2 horas antes de replantar. Evite sol direto e vento forte.

A profundidade que decide se há flores no próximo ano

Este é o ponto de ouro para peónias herbáceas (as mais comuns):

  • Olhos a 2–4 cm abaixo da superfície.

Mais profundo do que isso e a planta tende a adiar a floração. Mais raso e pode sofrer com calor e secura no verão.

Um truque simples: posicione a divisão, cubra, e depois pise/aperte de leve para eliminar bolsas de ar. Regue e observe se o solo assenta - se baixar muito, pode ser necessário corrigir, porque a coroa “afunda” e fica funda sem perceber.

Distância e luz

  • Deixe 70–90 cm entre plantas (boa circulação de ar ajuda a reduzir míldio/manchas).
  • Pleno sol é o ideal, mas em zonas muito quentes sol de manhã + sombra leve à tarde pode render flores mais bonitas e duradouras.

O “pós-operatório” que acelera o regresso das flores

Depois de replantar, a vontade é adubar logo. Com peónias, menos pressa e mais regularidade costumam ganhar.

  • Rega profunda na instalação e depois regas mais espaçadas, sem encharcar.
  • Cobertura leve (mulch): ajuda a manter humidade, mas não enterre a coroa sob 10 cm de matéria orgânica.
  • Evite adubo rico em azoto no impulso inicial. Azoto demais = folhas radiantes, flores preguiçosas.
  • Se for fertilizar, escolha algo equilibrado e em dose moderada no fim do inverno/início da primavera.

Soyons honnêtes: ninguém rega “perfeitamente” durante todo o outono. O que realmente conta é fugir dos extremos - nem deixar secar a ponto de estagnar, nem manter o solo pesado o tempo todo.

O caso especial: peónias arbustivas (e porque a divisão pode correr mal)

Se estivermos a falar de peónia arbustiva (Paeonia suffruticosa), atenção: muitas são enxertadas. Ao dividir, pode acabar por multiplicar o porta-enxerto (que pode florir diferente) ou simplesmente enfraquecer a planta.

Nesses casos, a opção mais segura costuma ser alporquia/mergulhia ou comprar plantas já próprias. Se tiver dúvida sobre o tipo, observe: herbáceas desaparecem no inverno; arbustivas mantêm uma estrutura lenhosa.

Um mini-checklist para não ficar “anos sem flores”

  • Dividir no fim do verão/início do outono
  • Cada divisão com 3–5 olhos e raízes grossas
  • Plantar com os olhos a 2–4 cm de profundidade
  • Evitar excesso de azoto
  • Sol e espaço para o ar circular
Decisão O que fazer O que evita
Tamanho da divisão 3–5 olhos + raízes grossas anos só com folhas
Profundidade olhos a 2–4 cm floração adiada
Local sol + boa distância fungos e botões fracos

O que pode esperar, realisticamente, no ano seguinte

Se a divisão for vigorosa e estiver bem plantada, é comum acontecer:

  • algumas flores já na primavera seguinte, especialmente em divisões maiores
  • ou um ano de “arranque”, com pouca flor, e retomada forte no segundo ano

A diferença entre esperar “um pouco” e esperar “uma eternidade” geralmente é a soma dos detalhes acima: tamanho + profundidade + mínimo stress.

FAQ:

  • Posso dividir peónias na primavera se não conseguir no outono? Pode, mas o risco para a floração e para o enraizamento é maior. Se não houver alternativa, faça divisões maiores, mexa o mínimo possível nas raízes e mantenha rega consistente nas semanas seguintes.
  • Porque é que a minha peónia dá folhas mas não dá flores depois da divisão? Normalmente é por plantio profundo demais, divisões pequenas (poucos olhos) ou excesso de azoto. A primeira verificação deve ser a profundidade dos olhos.
  • Quantos olhos devo deixar em cada pedaço? O ideal é 3–5. Com 1–2 olhos a planta pode pegar, mas tende a demorar mais para florir.
  • Posso usar composto ou estrume na cova? Pode ajudar a melhorar o solo, mas use com moderação e misture bem, sem encostar diretamente na coroa. Evite “enterrar” a planta mais fundo por causa da camada orgânica.
  • Como sei se a minha peónia é herbácea ou arbustiva? A herbácea seca completamente no inverno e volta a rebentar do solo. A arbustiva mantém ramos lenhosos. Arbustivas enxertadas não são boas candidatas para divisão.

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