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Massada de pota malandrinha a receita simples e bem temperada que conforta

Prato de sopa quente com macarrão e legumes, servido em tigela de barro. Fatias de pão, limão e pimenta ao lado.

Dá para fazer jantar gostoso sem inventar: uma massada “malandrinha” com pota (muito comum congelada; às vezes vem rotulada como poton/lula grande). É comida de casa: refogado bem caprichado, tomate apurado, massa cozida no molho e um descanso rápido para o caldo ficar curto e aveludado.

Aqui, o “segredo” não é ingrediente raro: é controlar o fogo, provar o ponto e ajustar líquido aos poucos.

Porque é que a massada “malandrinha” funciona sempre

Ela funciona porque é um prato de ajuste fino no final: caldo suficiente para envolver a massa, sem virar sopa. A pota ajuda, porque segura bem tempero e fica macia quando cozinha em fervura suave pelo tempo certo.

Também é receita “à prova de geladeira”:

  • Molho reduziu demais? Abre com água quente (não fria, para não travar a cocção).
  • Tomate fraco/ácido? Deixa apurar mais e corrige com um fio de azeite no final.
  • Pota costuma endurecer? Vale a regra dos cefalópodes: ou cozimento rápido (minutos) ou cozimento mais longo (20–40 min) - o meio-termo é onde ela costuma ficar borrachuda.

A receita base (e o que tens mesmo de garantir)

Ingredientes (4 pessoas)

  • 600–800 g de pota limpa (em tiras ou cubos)
  • 250 g de massa curta (cotovelos, macarronete, argolinhas)
  • 1 cebola grande picada
  • 3 dentes de alho picados
  • 1 folha de louro
  • 1/2 pimento vermelho em cubinhos (opcional, mas dá doçura)
  • 2 tomates maduros picados ou 250 ml de polpa de tomate
  • 120 ml de vinho branco seco
  • 700–900 ml de água quente (ou caldo de peixe leve), conforme o ponto
  • 1 c. chá de pimentão-doce
  • 1 pitada de cominhos (opcional)
  • Piripíri a gosto (ou pimenta calabresa/pimenta-do-reino + um toque de dedo-de-moça)
  • Azeite, sal e pimenta preta
  • Coentros picados (ou salsinha) para finalizar

Preparação, sem pressa onde importa

  1. Refogado com base séria: num tacho largo, aquece um fio generoso de azeite e refoga a cebola com o louro e uma pitada de sal. Quando estiver macia, entra o alho só até perfumar (sem queimar).
  2. Tomate e temperos: junta o tomate (ou a polpa), o pimentão-doce, pimenta e, se quiser, cominhos. Deixa apurar 5–8 minutos, mexendo, até perder o gosto cru e ficar mais escuro e espesso.
  3. Pota e vinho: entra a pota, envolve e deixa 2–3 minutos para pegar sabor. Regue com o vinho e deixa evaporar bem, raspando o fundo do tacho.
  4. Cozedura controlada: adiciona 700 ml de água quente (ou caldo), tampa e cozinha em lume médio-baixo por 20–30 minutos, em fervura suave. Vai provando: se ainda estiver firme, dá mais 10–15 minutos e ajusta com água quente.
  5. A massada: prova o molho e ajusta sal e picante antes de pôr a massa. Junta a massa, cozinha destapado e mexe de vez em quando (para não grudar). Vai somando água quente aos poucos até ficar “malandrinha”: caldo curto, brilhante, a envolver a massa.
  6. Descanso e final: desliga com a massa quase al dente. Descansa 2 minutos, finaliza com coentro (ou salsinha) e serve na hora.

O “truque” que dá aquele caldo curto sem ficar empapado

O ponto decide-se no fim. Em vez de despejar toda a água de uma vez, deixa uma caneca de água quente ao lado e ajusta em pequenas adições. Assim o sabor fica concentrado e tu mandas na textura.

Regra prática: desliga quando parecer que “ainda falta um tiquinho”. A massa continua a absorver no repouso e o caldo vira molho.

Erro comum O que acontece Como evitar
Cozinhar a massa tempo demais Fica mole e “some” com o caldo Desligar quase al dente + 2 min de repouso
Colocar água demais logo no início O sabor fica diluído Ajustar aos poucos com água quente
Apurar pouco o tomate Molho ácido e com gosto “cru” Reduzir até ficar mais escuro e espesso

Variações rápidas (sem estragar o espírito)

  • Mais mar: junta um punhado de camarão nos últimos 3–4 minutos (só até mudar de cor).
  • Mais conforto: troca parte da água por caldo leve (pouco salgado) e finaliza com um fio de azeite.
  • Mais “tinto” e rico: acrescenta 1 colher de sobremesa de extrato de tomate no refogado, antes do tomate.

FAQ:

  • Posso fazer com lulas em vez de pota? Sim. Lulas costumam cozinhar mais rápido e pedem menos tempo antes da massa; se passar, podem ficar rijas.
  • A pota fica dura. O que fiz mal? Normalmente foi tempo curto ou fogo alto demais. Mantém fervura suave e cozinha mais 10–15 minutos, completando com água quente se precisar.
  • Que massa é melhor para massada? Massa curta e “oca” (cotovelo, macarronete, argolinha) segura o molho. Evita massa muito fina, que passa do ponto rápido.
  • Dá para congelar? Dá, mas a massa amolece ao descongelar. Melhor congelar só o molho com a pota e cozinhar a massa na hora de servir.
  • Como ajusto o picante sem estragar o prato? Coloca aos poucos e prova. Se passar, mais tomate e um fio de azeite ajudam a arredondar; um pouco de água quente também baixa a ardência sem “matar” o prato.

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