Recrutadores estão de saco cheio - e me dizem que esta é a forma mais rápida de parecer mediano em um mercado lotado.
Era uma terça-feira cinzenta em Shoreditch, daquelas manhãs que fazem o café ter gosto de plano. Sentei ao lado de uma recrutadora enquanto ela folheava uma pilha de currículos com dedos rápidos. Ela parou, revirou os olhos e circulou as mesmas duas palavras que continuavam aparecendo: team player. A caneta vermelha podia muito bem ser um carimbo escrito “esquecível”. Senti meu próprio currículo se mexer na bolsa. Ela queria provas, não bajulações. Evidências, não slogans. E, vaga após vaga, as pessoas se apoiavam na mesma frase preguiçosa, esperando que ela fizesse todo o trabalho pesado. A lixeira ao lado da mesa dela contava outra história. Uma frase fazia todo o estrago.
O clichê que recrutadores rejeitam na hora
Pergunte a dez recrutadores qual frase os faz suspirar e você vai ouvir de novo: “team player”. Sozinha, ela não diz nada. É uma palavra de papel de parede - sempre ali, mal notada, nunca culpada. O trabalho acontece em equipe em quase toda organização. Dizer que você é “team player” sem detalhes é como dizer que a água é molhada. A frase para riscar hoje à noite: “team player”. Ela faz seu currículo soar genérico, padronizado e seguro demais. Uma afirmação vazia onde deveria entrar um resultado curto e vívido.
Vi passar um currículo de gerente de produto. Marcas ótimas. Cargos grandes. Aí veio um bullet: “Team player que colabora entre departamentos.” Isso não é uma história. Logo atrás, apareceu um candidato rival: “Cocondou uma equipe multifuncional de 7 pessoas para lançar o redesign do checkout, elevando a conversão em 11% no 3º tri.” Mesma ideia - colaboração -, mas um é estatística com forma e consequência. A recrutadora circulou o segundo bullet e escreveu “entrevista”. Em média, gestores de contratação escaneiam um currículo por poucos segundos. Essa prova pequena de impacto sobreviveu ao “passar o olho”.
Por que “team player” soa tão sem graça? Porque é uma afirmaativa sem âncora. Ela dá trabalho ao leitor, obrigando-o a imaginar o que você fez, com quem e por que isso importou. Soft skills vagas parecem evitar risco, não entregar contribuição. Seu cérebro reconhece linguagem padrão e arquiva como ruído. E, numa semana de contratação com alto volume, ruído perde para clareza todas as vezes. Vamos ser honestos: ninguém realmente faz isso todos os dias. Quem se destaca mostra a equipe, a tensão e o resultado - três batidas, contadas rápido.
O que escrever no lugar (e a linha exata para usar)
Troque “team player” por prova. Use uma mini-fórmula: Ação + Stakeholders + Resultado + Métrica. Ou o XYZ: “Alcancei X, medido por Y, fazendo Z.” Escreva bullets que pareçam fotos de trabalho conjunto sob pressão. “Fiz parceria com Finanças e Operações para desenhar o modelo de previsão trimestral, reduzindo rupturas em 18%.” “Cofacilitei 5 design sprints com Engenharia e Vendas para reduzir churn de 7,4% para 5,9%.” A palavra “equipe” não é o ponto; o resultado é. Mostre as peças em movimento, seu papel e como isso mexeu nos números. Isso é colaboração em cores.
Evite uma lista de compras de soft skills. Uma linha precisa vence cinco adjetivos quentinhos. Se você realmente liderou, diga “liderei”. Se você apoiou, diga o que você assumiu como dono(a). Não fuja dos verbos. Recrutadores leem buscando movimento - essa pessoa empurrou algo para frente com outros, ou só ficou por perto? Seja gentil consigo mesmo(a) se você não tiver métricas gigantes. Use escopo, velocidade, frequência ou escala: “Coordenei um encontro semanal de compartilhamento de conhecimento em três unidades; reduzi tickets duplicados em 30/mês.” Números pequenos ainda dizem a verdade. A ideia é trocar afirmações por evidências.
Aqui vai o teste decisivo. Pergunte: “Qualquer pessoa da minha área poderia colar este bullet no currículo?” Se sim, é enfeite. Se não, é você. Mostre a equipe, mostre a vitória, mostre sua parte. Leva 20 segundos a mais para reescrever uma linha oca em uma prova de vida - e isso é a diferença entre ser só escaneado e entrar na lista curta.
“Pare de me dizer que você é ‘team player’; me mostre o momento em que você puxou pessoas com você e o que mudou. Essa é a frase que eu estou caçando.”
- Substitua “team player” por um resultado que envolveu outras pessoas.
- Nomeie os colaboradores: vendas, operações, finanças, o cliente.
- Adicione uma métrica: %, R$, tempo economizado, defeitos, NPS, conversão.
- Use um verbo forte: liderou, coliderou, fez parceria, cocriou, entregou.
- Um bullet por resultado; mantenha curto e fácil de escanear.
Faça seu currículo soar como trabalho vivido, não texto de folder
No nível humano, todos buscamos certeza em processos seletivos. A gente joga “team player” como um colar de amuleto, esperando que proteja. Não protege. As pessoas lembram de cenas pequenas e concretas: o sprint entre áreas em que vocês entregaram com três dias de atraso e menos bugs do que da última vez; o stand-up de sexta em que você ofereceu o ajuste que destravou o envio. Conte isso. Uma linha, uma imagem, um número. Se não prova nada, não pertence.
| Ponto-chave | Detalhe | Benefício para o leitor |
|---|---|---|
| Abandone o clichê | Apague “team player” a menos que venha acompanhado de um resultado claro | Evita que seu currículo soe genérico e fácil de ignorar |
| Use uma fórmula de prova | Ação + Stakeholders + Resultado + Métrica (XYZ) | Forma rápida de transformar “encheção” em evidência |
| Quantifique a colaboração | Nomeie times, escala, frequência e métricas | Torna seu impacto escaneável em segundos |
FAQ
- Devo remover “team player” completamente? Sim, a menos que esteja ligado a um resultado específico. Troque por uma linha que mostre colaboração e resultado.
- E se eu não tiver números duros? Use escopo e qualidade: tamanho do time, número de stakeholders, tempo de ciclo, taxas de erro, citações de satisfação ou descrições de antes/depois.
- O ATS vai me bloquear se eu não incluir a frase exata? Não. Use palavras-chave relacionadas do anúncio dentro de conquistas reais: “multifuncional”, “colaborei”, “stakeholders”, “cerimônias ágeis”. Contexto vence buzzword.
- “Team player” funciona no resumo? Mesmo ali, troque por prova: “Analista de produto com 3 anos coliderando sprints entre design, vendas e engenharia; entreguei duas funcionalidades usadas por 200k+ clientes.”
- Quantos bullets de colaboração devo incluir? Dois ou três por cargo recente é suficiente. Escolha os momentos que mexeram com receita, custo, velocidade, qualidade ou resultados para o cliente.
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